Tem franquias que envelhecem. E tem franquias que redefinem o que um jogo pode ser a cada nova entrada. Grand Theft Auto, ou simplesmente GTA, claramente pertence ao segundo grupo.
Desde 1997, a Rockstar Games construiu uma das sagas mais influentes, polêmicas e lucrativas da história dos videogames. Mas olhar para onde tudo começou e comparar com onde estamos hoje é quase surreal. Então bora fazer exatamente isso.
O começo: visão de cima, caos total
O primeiro Grand Theft Auto chegou em 1997 para PC e PlayStation sem muito alarde. A proposta era simples e absurda ao mesmo tempo: o jogador controlava um criminoso numa cidade vista de cima, como um mapa, e precisava completar missões para gangues enquanto fazia o máximo de caos possível pelas ruas.
Não tinha história épica. Não tinha protagonista carismático. Não tinha mundo aberto tridimensional. Era uma câmera aérea, pixels grandes, ruas cheias de carros atropelháveis e uma liberdade de fazer o que quiser que ninguém tinha visto antes num jogo.
O conceito de “sandbox” (mundo aberto onde o jogador decide o que fazer) era novo, e GTA foi um dos primeiros a levar isso a sério. A violência e a provocação já estavam lá desde o início, assim como a trilha sonora tocando no rádio do carro roubado. Alguns elementos são imutáveis.

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GTA III: o salto que mudou tudo
Se o primeiro GTA plantou a semente, GTA III, lançado em 2001 para PlayStation 2, foi a explosão.
De repente, a visão aérea sumiu e o jogador estava dentro de Liberty City em três dimensões, dirigindo, caminhando, correndo, causando confusão em cada esquina. A cidade respirava. Havia pedestres com rotinas, policiais que reagiam, rádios com músicas e programas, uma história com personagens e uma sensação de estar dentro de um filme policial interativo.
GTA III não foi só um avanço técnico. Foi uma redefinição de o que um videogame podia ser. A indústria inteira parou pra observar, e boa parte dos jogos de mundo aberto que vieram depois carregam o DNA desse lançamento.

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Vice City e San Andreas: a Rockstar em modo show
Nos dois anos seguintes, a Rockstar não parou. GTA: Vice City (2002) levou os jogadores para uma Miami fictícia nos anos 80, com palha de coco, terno branco, rádio com hits da época e uma vibe de filme de gângster que conquistou uma geração inteira.
Depois veio GTA: San Andreas (2004), e a franquia saltou de novo. Agora eram três cidades conectadas, um mapa gigantesco, um protagonista com profundidade emocional, e mecânicas que iam de gangs de rua a missões de voo, de academias a cassinos. San Andreas foi tão ambicioso que parecia impossível que tivesse saído no PlayStation 2.
Esses dois jogos criaram o que muita gente ainda chama de “a era de ouro do GTA”, e não é difícil entender por quê.

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GTA IV: maturidade e drama humano
Em 2008, o GTA IV chegou para o PlayStation 3 e Xbox 360 com uma proposta diferente. Menos extravagância, mais drama. O protagonista Niko Bellic era um imigrante do leste europeu chegando em Liberty City atrás do sonho americano, e o jogo não tinha medo de mostrar que esse sonho frequentemente apodrece.
A história era mais sombria, mais adulta, mais cinematográfica. A cidade era menor que San Andreas mas mais viva, com pedestres que reagiam ao tempo, ao barulho, à sua presença. A física dos carros e dos corpos foi completamente reimaginada.
GTA IV dividiu opiniões justamente por ser diferente dos anteriores, mas deixou uma marca importante: mostrou que GTA podia contar histórias com peso emocional real.

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GTA V: o maior entretenimento da história
Aí chegou 2013 e o GTA V fez algo que ninguém esperava: superou tudo.
Três protagonistas jogáveis com histórias entrelaçadas. Los Santos, uma recriação de Los Angeles que era absurdamente detalhada. Uma trilha sonora que rivaliza com qualquer produção de Hollywood. Missões variadas que misturavam assaltos planejados, perseguições, infiltração e puro caos.
E depois veio o GTA Online, que transformou o jogo em um universo vivo e em constante expansão. Mais de uma década depois do lançamento, GTA V ainda está entre os jogos mais vendidos e mais jogados do mundo. Isso não é normal. Isso é histórico.
Para ter uma ideia da escala: GTA V já vendeu mais de 200 milhões de cópias, tornando-se um dos produtos de entretenimento mais lucrativos da história da humanidade, superando blockbusters de cinema e álbuns musicais.

Imagem retirada do www.rockstargames.com
O que mudou de verdade?
Olhando do GTA 1 ao GTA V, a evolução é quase impossível de processar. A câmera saiu do topo e mergulhou dentro do mundo. As cidades saíram do papel quadriculado e viraram metrópoles que respiram. Os personagens saíram do anonimato e ganharam histórias que ficam na memória.
Mas uma coisa nunca mudou: a liberdade. A sensação de que você pode entrar num carro, ligar o rádio e ir pra onde quiser fazer o que der vontade. Isso estava lá em 1997 com pixels grandes e câmera aérea, e está lá até hoje em 4K com ray tracing. É o coração da franquia, e a Rockstar nunca perdeu isso de vista.
E o GTA 6?
Falando em Rockstar e em não perder o foco: GTA 6 está chegando, e o hype ao redor dele é um fenômeno à parte.

O trailer de revelação, lançado em dezembro de 2023, se tornou o vídeo mais assistido nas primeiras 24 horas da história do YouTube até aquele momento, com mais de 90 milhões de visualizações. Um trailer. De um jogo. Sem data de lançamento definida na época.
O jogo leva os jogadores de volta ao estado de Leonida, uma versão fictícia da Flórida, e apresenta pela primeira vez na história principal da série uma protagonista feminina, Lucia, ao lado do parceiro Jason. As imagens mostraram uma fidelidade visual absurda, cidades vivas com nível de detalhe inédito e a promessa de que a Rockstar vai fazer com o GTA 6 o que sempre fez com cada entrada da franquia: redefinir o que é possível.
O lançamento está previsto para 2025 no PlayStation 5 e Xbox Series X/S, com a versão PC chegando depois. Considerando que GTA V levou mais de uma década pra sair de moda, é difícil imaginar o impacto que GTA 6 vai causar quando finalmente chegar.
A pergunta não é se vai ser grande. A pergunta é se o mundo tá preparado.




